Teletrabalho, nomadismo, novas expectativas dos trabalhadores: a revolução nos métodos de trabalho ainda está em curso. No entanto, o tempo da experimentação acabou e chegou a altura dos espaços de trabalho flexíveis. Trata-se de uma prática atualmente bem implantada nas empresas. O escritório flexível é uma resposta pragmática às mudanças no mundo do trabalho. Reduzir os espaços fixos, eliminar os gabinetes atribuídos, repensar a utilização dos metros quadrados: esta organização está a conquistar cada vez mais empresas. Mas será que pode realmente ser aplicada a todas as estruturas, a todos os sectores, a todas as equipas? A resposta é claramente afirmativa, desde que o flex office seja visto como uma alavanca de mudança e não como um fim em si mesmo.
Flex office: uma resposta aos desafios actuais
O escritório flexível é mais do que uma simples mudança de disposição. Representa uma reviravolta nos hábitos profissionais. Num contexto em que os trabalhadores alternam entre a presença no local e o teletrabalho, em que as equipas são reconstituídas em função dos projectos, seria ilógico manter escritórios fixos sistematicamente desocupados vários dias por semana. O escritório flexível permite adaptar o espaço a estas novas dinâmicas.
É também uma forma de racionalizar os custos. Menos espaço não utilizado significa menos custos imobiliários e energéticos, numa altura em que a sobriedade se tornou um imperativo económico e ecológico. Mas acima de tudo, os espaços flexíveis transformam a experiência do escritório: encorajam a mobilidade interna, quebram as barreiras entre departamentos e encorajam novas formas de colaboração. Estão a tornar-se locais de reunião, de interfuncionalidade e de sinergias criativas.
De acordo com a última análise da Cushman & Wakefield (abril de 2025), em Paris, 5% do espaço de escritórios é atualmente dedicado a espaços de coworking e flexíveis. A tendência é crescente, com uma oferta diversificada e em expansão: os espaços com mais de 1.000 m² representam já 41% do mercado parisiense. Um sinal claro da maturidade do sector e da sua capacidade de responder às necessidades variadas das pequenas, médias e grandes empresas.
Um modelo para todos os sectores, desde que seja adaptável
O escritório flexível pode ser aplicado a todas as empresas? A pergunta merece ser feita, mas não deve obscurecer o essencial: o flex office não é apenas para start-ups ou sedes tecnológicas. Pode ser utilizado por grandes empresas industriais, PMEs e autoridades locais... desde que seja uma ferramenta flexível que se adapte ao negócio e ao contexto.
É claro que alguns trabalhos exigem equipamentos específicos ou uma presença contínua. Mas isso não põe em causa o valor dos espaços de trabalho flexíveis para a grande maioria dos assalariados, nomeadamente em funções de apoio, de venda, de marketing ou de gestão. O objetivo não é acabar com todos os escritórios fixos, mas oferecer um ambiente de trabalho híbrido, concebido para proporcionar maior liberdade, mais colaboração e maior eficiência.
Criar uma nova cultura de trabalho
Para além dos seus aspectos práticos, o escritório flexível representa uma verdadeira transformação cultural. Convida-nos a repensar a nossa relação com o trabalho : menos territorialidade, mais partilha; menos apropriação do espaço, mais utilização colectiva. Trata-se de uma mudança de postura, que pode por vezes perturbar os hábitos, mas que, quando bem acompanhada, se torna um motor de inovação social.
As empresas que têm sucesso nesta transição investem no apoio: sensibilização, formação em trabalho móvel, ferramentas digitais adaptadas, espaços de convívio para manter os laços entre colegas. Porque o escritório flexível não deve tornar-se uma "terra de ninguém", mas sim um verdadeiro local de vida profissional, onde as pessoas se encontram, constroem em conjunto e se inspiram.
O escritório do futuro é agora
O escritório flexível não é apenas uma moda passageira reservada a um punhado de empresas inovadoras. É uma resposta concreta aos desafios actuais : atrair talentos, qualidade de vida profissional, transição ecológica, eficiência organizacional. Bem pensado e bem implementado, pode beneficiar todas as empresas, independentemente da sua dimensão ou sector.
O escritório de amanhã já não será um espaço fixo, mas sim um espaço flexível, aberto e vivo. O escritório flexível não é apenas uma forma de organizar o espaço, é uma nova forma de trabalhar em conjunto. E se ainda nem todas as empresas o adoptaram, fá-lo-ão mais cedo ou mais tarde. Porque o mundo do trabalho já está em movimento.
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